Uma mudança que não se quer {Jana}

|

Era Natal. Pela primeira vez Tia Ana e o Zé estavam hospedados em casa, por causa do vento. Faz muito calor em Dezembro, o apartamento perto do rio era mais fresco que o resto da cidade. Na verdade ela só queria agradar, a casa nem tinha móveis bonitos e minha mãe jamais soube receber hóspedes, nunca sabe o que fazer por eles e se desespera.

Era Natal, e o Natal sempre piora as piores notícias. Foi até bonitinho ver a Clara chorar junto comigo porque eu estava chorando, mas ainda assim parecia que o mundo não fazia nenhum, sentido.
Por que que mesmo tentando não dá pra levar numa boa?

[Eu estudei, eu juro que estudei, mas eu troquei a ordem das frações, e depois eu esqueci de divirdir o resultado por dois, depois eu não entendi o espelho concavo como concavo e sim como convexo, mas eu sabia a matéria, eu só errei o finalzinho de todas as questões mas eu sabia toda a matéria, de cor e salteado!]
Mas não interessa, não importa o que se faça, sempre falta alguma coisa.

Tia Ana estava fazendo rabanada, era sensacional a capacidade de produzir tantos pirex de rabanada por hora, era muito açucar e canela na mesa azul da copa, Tia Ana vira pra mim e diz:
"Você está fumando Janaína? Ah bom, eu senti um cheiro de cigarro"
Mas voce trouxe um pacote com 10 maços de Free light, como eu não ia pegar pelo menos um Tia Ana?

Tudo bem.

Os vinte reais que sobraram da conta do bar em que o Samuel saiu correndo no dia 22 estavam na mesinha.

Vou ali já volto!

O azulejo vermelho, tudo vermelho o cheiro forte de tinta meu deus como fede essa merda, acho que dá onda. Do jeito que tava, pior não poderia ficar. E até ficou bonito, meu cabelo vermelho. Do que mais eles poderiam reclamar? Eu já não era da turma das meninas meninas, eu já não era mais das inteligentes também, que que tem então?
Vou ali ser ruiva. já volto.






Uma mudança estética e poética (Caio Riscado)

|



Por favor, não me chame de cara.

Uma mudança geográfica e de temperatura (Caio Riscado)

|



Domingos Ferreira, 180.

Uma mudança para pior {Pedro Capello}

|


Nem de perto a mesma espontaneidade, nem de longe a mesma gargalhada. 

Alguma mediocridade e toda a irritação do mundo, aquela vontade de mandar a real: que bosta, hein? Não é que nada interessasse, mas o hoje não fazia jus ao ontem. "De que cor é a saudade?"

Roxo de raiva. A noite inteira juntos e nenhum vestígio do que um dia foi. Chato.

- As pessoas mudam.
- No seu caso, para pior.

Um caminhão de mudança {Lucas}

|

Aparou a franja, bebeu whisky, comprou flores, gerenciou a conta, praticou o inglês, deletou do Orkut, vendeu o carro, deu comida ao papagaio, apedrejou o presidente, varreu o quintal, afogou os cigarros, triturou o tapete da sala, foi pra Guadalajara, cantou Gal Costa, arranhou a perna, xingou o trocador, perdoou o padre, chupou bala, entregou a tese, abdicou do trono, fechou a obra, disse tudo, fugiu do trânsito, pintou o teto, pulou a cerca, ligou pro dentista, armou o circo, incendiou a casa de bonecas, rasgou o embrulho, arrombou a gaveta, largou no altar, eliminou os exércitos vermelhos, redesenhou a planta, demitiu a empregada, tropeçou no abismo, desfez as malas, concluiu o segundo grau, mexeu na ferida, pediu pizza, quebrou a cara, carregou o piano, matou os três filhos, cortou as unhas e entrou na yoga.

Fagner & Zeca Baleiro - Babylon

|

Days With My Father

|

Phillip Toledano, um fotógrafo que eu curto, fotografou os seus últimos contatos com o seu pai. Depois da morte de sua mãe, seu pai que sofria de perda de memória recente piorou. As fotografias, mais do que como registro, atuam na recuperação de uma memória que não poderia ser compartilhada de outra maneira. Se, todo memória é trabalho e aqui nos colocamos para discutir a idéia, ou a possibilidade, de mudança, penso na mudança que este dispositivo de convivência ou programa performático seguido pelo fotógrafo possa ter ocasionado nos últimos tempos da vida de seu pai.


pensemos.




tamanha a delicadeza.


Existe um mundo que está acabando e outro que está começando

|

Quando a Wikipédia resolve falar bonito:

Uma mudança ou transformação pressupõe uma alteração de um estado, modelo ou situação anterior, para um estado, modelo ou situação futuros, por razões inesperadas e incontroláveis, ou por razões planejadas e premeditadas.

Mudar envolve, necessariamente, capacidade de compreensão e adoção de práticas que concretizem o desejo de transformação. Isto é, para que a mudança aconteça, as pessoas precisam estar sensibilizadas por ela.

Perceber a dinâmica das mudanças é uma necessidade. Viver atualizado é uma questão de sobrevivência e uma maneira de visualizar melhor o futuro, já que os novos tempos exigem uma nova postura de pensamento. Existe um mundo que está acabando e outro que está começando e as pessoas, naturalmente, costumam lidar com isso de maneira defensiva, com temor ou rejeição, na maioria das vezes.

Mesmo pessoas mais esclarecidas e atualizadas revelam-se surpresas com as mudanças sociais, políticas, econômicas, tecnológicas, culturais, ecológicas etc que acontecem ao longo da vida. Essas transformações fazem com que a vida não seja um caminho linear que as pessoas percorram livres e desimpedidas.

Uma por dia, todos os dias

|



 

2011 MUDA | Realizadora Miúda | Projeto Seis | Design: TNB